![Ford Maverick Lariat FX4 [Auto+ / João Brigato] Ford Maverick Lariat FX4 [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Ford-Maverick-Lariat-FX4-3-990x556.jpg)
A Ford Maverick é um carro difícil de explicar no Brasil, mas muito fácil de se encantar. Criada para ser o carro mais barato da Ford nos EUA e substituir o EcoSport, ela nasceu a partir da ideia inspiração na Fiat Toro. Só que, diferentemente da marca italiana, que colocou o Brasil como prioridade, a Maverick tem como foco a Terra do Tio Sam.
Isso fez com que ela tivesse mais cara de picape e menos de SUV com caçamba, fingisse demência quanto à existência de motor diesel e adotasse alguns elementos típicos do mercado americano, como maior capacidade de reboque do que de carga na caçamba. Além disso, por vir importada e em versão única (Lariat FX4 topo de linha), ela custa R$ 240.490 que é mais que a Ranger de entrada.
Na minha primeira avaliação com a Ford Maverick, havia dito que ela era sim um carro excelente, mas cheio de mancadas por culpa da Ford, não dela. E depois de colocá-la entre os 10 melhores carros que dirigi em 2022, era hora de um contato mais longo com a picape da Ford para entender qual era a dela. Por isso, dessa vez, testei a Maverick por um mês e 2.000 km rodados.
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Sem inconvenientes
Existem duas coisas extremamente chatas com picapes médias. O primeiro é o porte exagerado para as ruas brasileiras, fazendo com que achar uma vaga seja um verdadeiro parto. O segundo é o pula pula constante. Até uma Volkswagen Amarok, que é a que menos pula, ainda pode ser um filhote de cabrito quando quer.
A Maverick não. Feita sobre a plataforma C2 da Ford que dá origem ao Bronco Sport, ao Focus e ao SUV médio Escape, ela roda como se fosse um SUV. Nada de pula pula, solavancos chatos ou dinâmica que te faz ter a sensação de que vai tombar a qualquer momento. Pelo contrário: as raízes de Focus estão lá no bom apetite em curvas.
Ela parece mais baixa do que de fato é: a frente não raspa fácil e mesmo entrar e sair de rampas de estacionamento com velocidade (muito hatch compacto raspou na minha garagem) não é problema para a Maverick. A suspensão é bastante confortável, absorvendo bem as superfícies do asfalto, sem ser molenga ou boba.
Inconveniente parcialmente evitado
A questão do porte da Maverick se faz muito presente. Ela tem 5,07 m de comprimento, 1,84 m de largura e 1,73 m de altura. O que a faz 16 cm mais longa que a Toro, mas 28 cm mais curta que a Ranger. Na largura, ela é igual à Fiat, mas as colunas mais retas fazem a carroceria mais arejada e mais espaçosa. Comparando à Ranger, ela é 2 cm mais estreita.
E mesmo com o porte mais contido que o da Ranger, na cabine, a Maverick faz a irmã e a Toro passarem vergonha. Durante o mês de teste que passei com a picape, tive a oportunidade de viajar com cinco pessoas e ninguém reclamou de espaço.
Mesmo pessoas mais altas, puderam se acomodar no interior sem grandes problemas, até para as pernas comigo dirigindo com meus 1,87 m de altura. As colunas mais retas possibilitaram que as cabeças ficassem mais longe uma das outras, enquanto o encosto traseiro com inclinação igual a de um SUV torna a viagem bem menos cansativa do que na Toro ou na Ranger.
A caçamba de 943 litros é espaçosa, mas carece de uma capota marítima de série. Por sorte, a unidade cedida pela Ford contava com uma caçamba elétrica com cobertura impermeável que a transformava em um gigante porta-malas (essencial para uma viagem no verão brasileiro cheio de chuva).
Há de pontuar que a Maverick avaliada ainda trazia duas caixas organizadoras extremamente práticas – em geral, sou do tipo de pessoa que pouco liga para acessórios extras nos carros, mas esses dois se tornam quase obrigatórios na Maverick. E ainda ela conta, de série, com um alçapão debaixo do banco traseiro o qual abriga ainda mais tralhas.
A praticidade da picape vai além com dois porta-objetos com escoamento de água camuflados na lateral da caçamba, portas com espaço escondido dentro do plástico e recorte para uma garrafa de 1,5 litro. Há tantos espaços para colocar cacarecos que até o inútil espaço na parte superior do painel pode encontrar alguma função em algum momento.
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Gasolina faz milagre
Justamente a carga extra de pessoas e de tranqueiras de viagem poderia ser o verdadeiro teste se o motor 2.0 quatro cilindros turbo da Maverick daria conta. E ele o faz com sobra. São 253 cv e 38,7 kgfm de torque – bem mais que os 185 cv e 27,5 kgfm da Fiat Toro (que já são bons). Mais até que o motor 2.2 da Ranger que tem 160 cv, só perdendo para os 39,2 kgfm de torque.
Na prática, a picape acelera com força mesmo quando carregada, não negando fôlego. Ela é forte, entregando os 100 km/h em 7,2 segundos – meio segundo mais lenta que um Volkswagen Jetta GLI, que é um carro esportivo e que não tem a aerodinâmica de um tijolo, como a Maverick tem.
O câmbio automático de oito marchas merece destaque pela suavidade que trabalha. Os engates são rápidos e totalmente imperceptíveis. Além disso, a relação das primeiras marchas é curta, dando um jeito de CVT à Maverick. Só falta uma maneira de trocar as marchas manualmente, especialmente necessário em decidas de serra.
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É plástico, mas não parece
Um dos grandes pontos de crítica aos Ford nacionais era o acabamento descuidado e cheio de plásticos ruins, algo que não se repete na Maverick. Ela não tem o mesmo nível de acabamento do Bronco Sport, que tenta flertar com o segmento premium. Mas a cabine tem bem mais qualidade que o EcoSport, o qual ela substituiu nos EUA.
Há plástico para tudo quanto é canto, mas todos de qualidade e bem montados. O interessante é que a Ford mesclou elementos em azul marinho, cinza e marrom, com texturas diferentes para dar um ar mais sofisticado e moderno à caminhonete. As peças em marrom, inclusive, tentam simular metal.
Tecnologia que falta
A montagem é bem feita, assim como as telas presentes. O painel de instrumentos é analógico, mas possui uma tela larga, colorida e de boa definição recheada de funções. A tela, inclusive, muda de tema de acordo com o modo de condução selecionado. O que não acontece com a central multimídia.
Há de pontuar que os comandos físicos do ar-condicionado facilitam muito a vida, enquanto o botão de abertura do vidro traseiro fica tão escondido que pouca gente vai lembrar de usar. E vale lembrar que a Ford esqueceu de oferecer o tão desejado teto solar no Brasil. Há ainda o problema da falta de tecnologia.
Ela tenta compensar com frenagem autônoma de emergência, tração 4×4 eletronicamente controlada com sistemas de modo de condução, farol alto automático, seis airbags, farol com acendimento automático e controle automático de descida. Mas por R$ 240 mil, esses itens de condução semiautônoma são essenciais (ainda mais que o Bronco Sport possui).
Veredicto
O paradoxo da Ford Maverick é que, como produto, ela é bem melhor que a Fiat Toro – ainda que faltem tecnologias que estão presentes na rival. Mas a Maverick é bem mais cara que a Toro, o que torna sua compra menos racional. Coloque na conta o fato de ela custar mais que uma picape diesel, como a Ranger, e fica difícil justificar sua compra.
Só que nem todos os carros são pensados para agradar apenas ao lado racional – se fosse por isso, para que existiria um Porsche? A vantagem da Maverick é se comportar como uma picape média onde precisa (robustez, força e espaço) sem inconvenientes (pupa pula e tamanho de jamanta).
Eu compraria ela ao invés de uma Toro ou uma picape média, mas sei que sou uma exceção a uma regra de mercado que existe hoje. Talvez a salvação da Maverick chegue esse ano em forma da versão híbrida – aí sim, ela terá algo que nenhuma outra caminhonete um dia ofereceu no Brasil. Só precisa de mais equipamentos e preço adequado para fazer sucesso.
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