
Já faz uns bons anos que BYD, GWM e CAOA Chery provaram que carros chineses são bons. Eles viraram referencia entre elétricos e híbridos, mas ninguém pensa muito neles quando se trata de SUVs 4×4 feitos para off-road pesado. Afinal, esses carros precisam ser verdadeiros tanques, como o GWM Tank 300.
Ele é o tipo de carro que levanta todas as pulgas atrás da orelha que um entusiasta automotivo pode ter. Mas, ao levá-lo para uma trilha pesada, ele prova que, quem duvidar, ficará redondamente enganado. Inclusive, confesso que saí do test-drive pensando que gostei mais desse carro do que deveria, porque não esperava tanto.
Híbrido combina com off-road
Diferentemente de todos os híbridos plug-in oferecidos no Brasil até então, incluindo os irmãos Haval H6 PHEV34 e GT, o Tank 300 não depende da energia elétrica para ser 4×4. A marca chinesa combinou um motor 2.0 turbo a combustão com um motor elétrico que fica posicionado entre o 2.0 e a caixa de transmissão.

O conjunto do Tank 300 trata de fazer o motor a combustão ou o elétrico entrarem em ação quando necessário. Inclusive, trabalhando juntos ou cada um em uma função (o combustão pode carregar as baterias, enquanto o elétrico traciona as rodas, por exemplo).
Entretanto, ao acionar a tração 4×4 (em modo normal o ou com reduzida), o SUV instantaneamente liga os dois motores para oferecer o máximo de força. Mas como as rodas traseiras se movimentam? Simples, com um eixo cardan, tal qual qualquer rival diesel ou gasolina que seja conhecido por fazer off-road pesado.

Segundo a GWM, o total do conjunto rende 394 cv e 76,4 kgfm de torque, fazendo o Tank 300 chegar aos 100 km/h em 6,8 segundos. O interessante é que essa entrega é feita de maneira parecida com o Haval H6 e bem diferente dos CAOA Chery híbridos. Acelerou forte, o Tank 300 dispara com toda força.
A depender do modo de condução selecionado, ele até destraciona as rodas traseiras rapidamente para ganhar um pouco de grip antes de arrancar com tudo. Os dois motores trabalham juntos e entregam todo torque sem os dois estágios que são nítidos no Haval H6.

4×4 raíz
No off-road, a reduzida deixa o GWM Tank 300 bem arisco e sensível. Basta um toquinho no acelerador que é perceptível que ele tem cavalaria de sobra para enfrentar desafios. Como a marca trabalhou com isolamento acústico reforçado e cancelamento de ruído vindo do motor, o silencio impera mesmo quando o conjunto está se esforçando ao máximo.
Para pessoas não tão habilidosas no off-road, isso ajuda a dar a sensação de não forçar o carro ou que ele tem dificuldades de enfrentar obstáculos. Aliás, ele conta com bloqueio de diferencial dianteiro, traseiro e central, o que permite passar por trilhas em que só um Troller encararia.

Os recursos eletrônicos presentes no GWM Tank 300, diferentemente do que se pensa, não atrapalham na condução. Pelo contrário, ajudam a fazer o off-road algo mais cômodo. Ele conta até com piloto automático off-road que controla acelerador e freio em uma trilha, te deixando cuidar só do acelerador.
Mas e no asfalto?
Comprovada toda sua valentia e capacidade off-road, fica o questionamento quanto ao uso na cidade. Afinal, se um carro anda bem demais na lama, as chances de ser irritante no asfalto são bem grandes. Mas isso não acontece com o Tank 300. É surpreendente o trabalho de chassi e suspensão da GWM.

Ele é um carro chassi sob carroceria, que naturalmente deveria pular e chacoalhar. Só que ele não faz isso, dando a sensação de ser monobloco. Ele se comporta bem em ruas esburacadas e asfalto liso sem pula-pula ou correções desnecessárias de volante. É algo nível Ford Ranger!
Por conta do acerto feito para o Brasil, a GWM deixou o Tank 300 com direção mais pesada e suspensão mais firme, o que entra de acordo com a preferência nacional. Com isso, nada de dobrar forte em curvas ou inclinar em demasia. Mas, ainda é um SUV, não se esqueça disso.

A única coisa chata é que os controles de tração e estabilidade são muito intrusivos, cortando totalmente a aceleração em curvas ou com leve destracionamento nas rodas. Em algumas situações, o Tank 300 parecerá manco, mas a culpa é dos sistemas eletrônicos segurando a brincadeira. Ao ver que tudo está ok, ele solta aos poucos.
Refinamento que não é de tanque
Outro ponto que chamou muita atenção no GWM Tank 300 é o refinamento. A submarca nasceu de um desmembramento da Wey, a marca de luxo da Great Wall. Originalmente, o Tank 300 se chamava Wey Tank e seria só um modelo dentro da marca de luxo. Mas a GWM viu potencial de separação.

Com isso, o interior tem matérias refinados, como o couro de ótima qualidade usado nos bancos, volante e partes do painel. Há muitas zonas macias ao toque e encaixes bem feitos. O que decepciona é o plástico oco no console central e o fato de que as portas traseiras são revestidas em plástico com costura fake.
No porta-malas, de 863 litros, a GWM esqueceu de colocar uma tampa, o que fará com que suas cargas fiquem totalmente expostas. Além disso, a tampa é pesada e difícil de ser fechada. Aliás, todas as portas são pesadas, mostrando o lado parrudo do Tank 300, que conta com vedação tripla na porta e vidros acústicos.

Destaque ainda para o painel de instrumentos totalmente digital com mais opções de visor do que o Haval H6. A central multimídia foi atualizada com novos menus e está mais fácil de mexer. Além disso, finalmente a GWM aprendeu a fazer um volante de tamanho normal e com aro mais grosso.
Veredicto
Se você não precisa dos sete lugares de um Toyota SW4 ou de um Mitsubishi Pajero Sport, o GWM Tank 300 é uma alternativa mais interessante. Ele é anos luz mais moderno que os rivais japoneses, entrega uma inegável robustez e capacidade off-road que nunca esperei ser possível em um carro chinês.

Além disso, tem o conjunto híbrido que te rende pelo menos 75 km sem gastar uma gota de combustível, interior muito mais refinado do que o do SW4 e visual icônico de SUV raiz. Ele é o tipo de carro para nem um hater de carro chinês conseguir rejeitar.
Você teria um GWM Tank 300? Conte nos comentários.