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Parrudão!

GWM Tank 300 vai te fazer duvidar de muita coisa que ele provará ser o contrário | Impressões 

Se você ainda tem preconceito com carro chinês, de uma volta pesada com o GWM Tank 300 na lama e no barro. Duvida?

GWM Tank 300 cinza de frente com um gramado ao fundo
GWM Tank 300 [Auto+ / João Brigato]

Já faz uns bons anos que BYD, GWM e CAOA Chery provaram que carros chineses são bons. Eles viraram referencia entre elétricos e híbridos, mas ninguém pensa muito neles quando se trata de SUVs 4×4 feitos para off-road pesado. Afinal, esses carros precisam ser verdadeiros tanques, como o GWM Tank 300.

Ele é o tipo de carro que levanta todas as pulgas atrás da orelha que um entusiasta automotivo pode ter. Mas, ao levá-lo para uma trilha pesada, ele prova que, quem duvidar, ficará redondamente enganado. Inclusive, confesso que saí do test-drive pensando que gostei mais desse carro do que deveria, porque não esperava tanto.

Híbrido combina com off-road

Diferentemente de todos os híbridos plug-in oferecidos no Brasil até então, incluindo os irmãos Haval H6 PHEV34 e GT, o Tank 300 não depende da energia elétrica para ser 4×4. A marca chinesa combinou um motor 2.0 turbo a combustão com um motor elétrico que fica posicionado entre o 2.0 e a caixa de transmissão.

GWM Tank 300 cinza de traseira em uma pista
GWM Tank 300 [Auto+ / João Brigato]

O conjunto do Tank 300 trata de fazer o motor a combustão ou o elétrico entrarem em ação quando necessário. Inclusive, trabalhando juntos ou cada um em uma função (o combustão pode carregar as baterias, enquanto o elétrico traciona as rodas, por exemplo).

Entretanto, ao acionar a tração 4×4 (em modo normal o ou com reduzida), o SUV instantaneamente liga os dois motores para oferecer o máximo de força. Mas como as rodas traseiras se movimentam? Simples, com um eixo cardan, tal qual qualquer rival diesel ou gasolina que seja conhecido por fazer off-road pesado.

GWM Tank 300 cinza de lado com um gramado ao fundo
GWM Tank 300 [Auto+ / João Brigato]

Segundo a GWM, o total do conjunto rende 394 cv e 76,4 kgfm de torque, fazendo o Tank 300 chegar aos 100 km/h em 6,8 segundos. O interessante é que essa entrega é feita de maneira parecida com o Haval H6 e bem diferente dos CAOA Chery híbridos. Acelerou forte, o Tank 300 dispara com toda força.

A depender do modo de condução selecionado, ele até destraciona as rodas traseiras rapidamente para ganhar um pouco de grip antes de arrancar com tudo. Os dois motores trabalham juntos e entregam todo torque sem os dois estágios que são nítidos no Haval H6.

GWM Tank 300 [Auto+ / João Brigato]

4×4 raíz

No off-road, a reduzida deixa o GWM Tank 300 bem arisco e sensível. Basta um toquinho no acelerador que é perceptível que ele tem cavalaria de sobra para enfrentar desafios. Como a marca trabalhou com isolamento acústico reforçado e cancelamento de ruído vindo do motor, o silencio impera mesmo quando o conjunto está se esforçando ao máximo.

Para pessoas não tão habilidosas no off-road, isso ajuda a dar a sensação de não forçar o carro ou que ele tem dificuldades de enfrentar obstáculos. Aliás, ele conta com bloqueio de diferencial dianteiro, traseiro e central, o que permite passar por trilhas em que só um Troller encararia. 

GWM Tank 300 cinza de frente
GWM Tank 300 [Auto+ / João Brigato]

Os recursos eletrônicos presentes no GWM Tank 300, diferentemente do que se pensa, não atrapalham na condução. Pelo contrário, ajudam a fazer o off-road algo mais cômodo. Ele conta até com piloto automático off-road que controla acelerador e freio em uma trilha, te deixando cuidar só do acelerador.

Mas e no asfalto?

Comprovada toda sua valentia e capacidade off-road, fica o questionamento quanto ao uso na cidade. Afinal, se um carro anda bem demais na lama, as chances de ser irritante no asfalto são bem grandes. Mas isso não acontece com o Tank 300. É surpreendente o trabalho de chassi e suspensão da GWM.

GWM Tank 300 [Auto+ / João Brigato]

Ele é um carro chassi sob carroceria, que naturalmente deveria pular e chacoalhar. Só que ele não faz isso, dando a sensação de ser monobloco. Ele se comporta bem em ruas esburacadas e asfalto liso sem pula-pula ou correções desnecessárias de volante. É algo nível Ford Ranger!

Por conta do acerto feito para o Brasil, a GWM deixou o Tank 300 com direção mais pesada e suspensão mais firme, o que entra de acordo com a preferência nacional. Com isso, nada de dobrar forte em curvas ou inclinar em demasia. Mas, ainda é um SUV, não se esqueça disso.

GWM Tank 300 de lado
GWM Tank 300 [Auto+ / João Brigato]

A única coisa chata é que os controles de tração e estabilidade são muito intrusivos, cortando totalmente a aceleração em curvas ou com leve destracionamento nas rodas. Em algumas situações, o Tank 300 parecerá manco, mas a culpa é dos sistemas eletrônicos segurando a brincadeira. Ao ver que tudo está ok, ele solta aos poucos.

Refinamento que não é de tanque

Outro ponto que chamou muita atenção no GWM Tank 300 é o refinamento. A submarca nasceu de um desmembramento da Wey, a marca de luxo da Great Wall. Originalmente, o Tank 300 se chamava Wey Tank e seria só um modelo dentro da marca de luxo. Mas a GWM viu potencial de separação.

interior do GWM Tank 300
GWM Tank 300 [Auto+ / João Brigato]

Com isso, o interior tem matérias refinados, como o couro de ótima qualidade usado nos bancos, volante e partes do painel. Há muitas zonas macias ao toque e encaixes bem feitos. O que decepciona é o plástico oco no console central e o fato de que as portas traseiras são revestidas em plástico com costura fake.

No porta-malas, de 863 litros, a GWM esqueceu de colocar uma tampa, o que fará com que suas cargas fiquem totalmente expostas. Além disso, a tampa é pesada e difícil de ser fechada. Aliás, todas as portas são pesadas, mostrando o lado parrudo do Tank 300, que conta com vedação tripla na porta e vidros acústicos. 

interior do GWM Tank 300
GWM Tank 300 [divulgação]

Destaque ainda para o painel de instrumentos totalmente digital com mais opções de visor do que o Haval H6. A central multimídia foi atualizada com novos menus e está mais fácil de mexer. Além disso, finalmente a GWM aprendeu a fazer um volante de tamanho normal e com aro mais grosso.

Veredicto

Se você não precisa dos sete lugares de um Toyota SW4 ou de um Mitsubishi Pajero Sport, o GWM Tank 300 é uma alternativa mais interessante. Ele é anos luz mais moderno que os rivais japoneses, entrega uma inegável robustez e capacidade off-road que nunca esperei ser possível em um carro chinês.

GWM Tank 300 [divulgação]

Além disso, tem o conjunto híbrido que te rende pelo menos 75 km sem gastar uma gota de combustível, interior muito mais refinado do que o do SW4 e visual icônico de SUV raiz. Ele é o tipo de carro para nem um hater de carro chinês conseguir rejeitar.

Você teria um GWM Tank 300? Conte nos comentários.